agosto 17, 2006

Sem tempo.

Ultimamente não tenho tempo nem para pensar, menos ainda para manter um número medíocre de posts com pensamentos. Mas ainda não os abandonei. E nem pretendo. A mídia massiva que me perdoe, o Big Brother que não se meta, mas eu sim, continuo pensando, filosofando, sobre tudo. Sobre nada. Sobre mim, os outros, a vida, o mundo, para onde vamos? De onde viemos? Qual a resposta? 42? É. Deve ser...

Ahh, nossa. Entrei aqui para postar apenas duas tirinhas excelentes, nem ia escrever nada, mas essa conversa me lembrou essa tira do Wulffmorgenthaler que eu necessito compartilhar. Resume, a vida. E essas indagações existenciais que não chegam a lugar nenhum porque não têm onde chegar. Nossa existência terrena não depende delas. O que acontece é que nunca estamos satisfeitos com o que sabemos, sempre queremos descobrir mais. Pensar mais. Ir atrás do que não podemos explicar. Do que ninguém pode nos explicar. Porque qual é a graça de você filosofar sobre algo que chegue a algum lugar já que existe sempre aquele espertinho, chega e diz "cara, é simples, blábláblá". Todos seus pensamentos vão embora, você descobre a resposta por intermédio de terceiros e fica feliz. Não, não fica. Você quer descobrir, você quer ter o mérito. Egoísmo? Não. Simplesmente natureza humana. E nessa, para você não filosofar, não tentar descobrir o conhecimento, que atraí uma maior busca por conhecimento que não cessa, quer sempre saber mais. Mais. E a mídia aparece para podar. Instiga você a não pensar. Joga para a massa pensamentos felizes, sobre uma vida boa e com fartura. Novela das 8. Despeja músicas sem conteúdo que penetram na sua mente como um vírus mirabolante e alí parasitam. Funks, axés. Aquela bobagem de Faustão. Líderes carismáticos que não te deixam pensar, que te sugam. E você é levado por um pensamento coletivo a agir por indespontânea vontade. A seguí-los, sem perceber. Sem pensar. Silenciófobos, como diria Chuck Palahniuk. A mídia de massa comanda para não pensar, para não incomodar o sistema.

Eu estou aqui pensando. Não que isso seja algum mérito, nem alguma tentativa de mudança do sistema. Estou até que bem com ele: tenho cama, chocolate, carro e desenho. Por enquanto tá beleza. Mas tenho ciência que nem todos estão assim e também, que nem todos querem mudar. Ou alguns, nem sabem que podem mudar, são levadas a não indagar. O único pensamento que levam é "qual o jeito mais simples de resolver?". Roubar, matar. Punir? Não, não é a solução. Não vou concluir esse texto, mesmo porque nem ia escrevê-lo. Fui levada...

Vou deixar apenas aquela tirinha que me veio à mente enquanto eu escrevia... As outras duas ficam para uma próxima.